Eu, cachorra

[Cachorra, a fêmea do cachorro, ok, amiguinhos? Até porque esse é um blog de família.]

Eu sempre faço as piores analogias. Mas para não cair no ridículo ao expor demais as curvas que a minha mente constroi, me limito a falar de um das associações que fiz, desde que engravidei, entre mim e as cachorras.

Quando a vida intrauterina de Nina foi avançando para o segundo semestre, a hora do parto me trazia uma enorme alegria,  bem como aqueles medos naturais de não suportar a dor, de não estar num “bom lugar” na hora em que as contrações começassem, de não ser capaz…

Mas aí fui lendo muito, conversando com outras mães e tudo foi ficando mais claro na minha cabeça. Só que ainda restava aquele medinho da novidade, que tentava ofuscar a felicidade que eu imaginava que seria a chegada de minha filha. Para driblar essa sombra, me inspirava em outras mulheres, ou melhor, em todas as mulheres. Me emocionava horrores pensando em todas elas, desde Eva, e como elas venceram seus próprios tropeços e nos fizeram 7 bilhões.

Era lindo! Mas depois eu mesma desmontava a minha história de amor por elas e temia.

Até que lembrei de Kelly, a cadela de um amigo.

Do alto do seu viralatismo, Kelly protegia eficazmente a casa e se derretia em meiguices por seus donos. Era um sonho.

Num domingo, cheguei na casa desse amigo, toquei a campainha e, como de costume, abri um sorriso esperando no portão os carinhos de Kelly e Jack, seu irmão e namorido. Mas naquela tarde, só Jack apareceu. Esbaforido, com o rabo baixo, o latido contido, um andar serpenteado… Meu coração apertou.

Depois de alguns minutos de nervoso nosso, meu amigo apareceu e deparou-se com o que o portão me impedia de ver. E exclamava: “meu Deus! Meu Deus!” “Abre logo esse portão!”, eu dizia.

Cadeado liberado, eu corri para o pátio para saber o que tinha acontecido. Jack me rodeava, feliz, como se tivesse se libertado do peso do mundo. Num imenso contraste à ansiedade do macho, deitadinha num canto, Kelly exalava paz amamentando os 13 cachorrinhos que pariu durante toda a manhã. Em silêncio.

Sozinha, ela, mãe de primeira viagem, já tinha comido as placentas e limpado cada um dos umbigos de seus pequenos. Isso sem ter lido um livro, sem ter recebido um conselho sequer nos comentários do seu blog ou sem ter conversado com sua mãe. Ela estava lá e fez tudo certo, irretocavelmente.

E desde que essa cena saltou do meu repertório de lembranças, eu nunca mais tive medo.

"Late que eu tô passando"

Xô, estria!

Já que esse blog virou o muro das lamentações fúteis, eu vou contar uma historinha pra vocês, que culminará na dica preciosa de um produto milagroso.

Na adolescência, eu participei de um concurso um pouco é… diferente: a soteropolitana com mais estrias no corpo. Não vou entrar em detalhes pro post não ficar muito longo, mas, resumindo, o que rolou foi que deixei o corpo de jurados boquiaberto, ganhei de lavada, virei competidora hors concours e o prêmio passou, então, a levar o meu nome. De maneira que existe a Medalha Camila Novais de Mulheres Estrientas. Que orgulho, minha gente!

Ou não.

Daí que quando engravidei, eu tinha certeza de que a minha singela barriguinha ia estourar de estria. Mas, olha, vocês acreditam que a minha expectativa foi frustrada? Alguém aí disse “graças a Deus”? Pois bem, Nina ficou hospedada 41 semanas e 1 dia no meu bucho e ele ficou sucesso, lisinho. Um salve pra indústria de cosméticos!

O santo milagreiro: Biovergetures, da Biotherm. Valeu cada centavo dos CAN$ 50,00 + taxas (!!!) a bisnaga de 150 ml.

Pode me chamar de Brooke Shields

Esse negócio de ter nenê longe da família preocupa, mas, surpreendentemente, não a mim. Meu pai, por outro lado, sabendo do trampo danado que são os primeiros dias com um recém-nascido e, principalmente, conhecendo bem a filha dele, me perguntou, no fim da gravidez:

– Filha, você está lidando bem com o fato de ficarem só você e Maurício com Nina?

– Sim, estou incrivelmente tranquila e confiante. Acho até que vai ser melhor assim.

– É… Tem razão! Se até os meninos d’A Lagoa Azul conseguiram, por que vocês não dariam conta, né?

Maurício e eu curtindo o primeiro banho de mar de Nina

 

10 coisas que descobri na gravidez

  1. Mulheres grávidas se olham. E muito. Pra tentar adivinhar de quantas semanas está a outra? Pra saber se sua barriga é normal? Pra pegar dicas de como a outra consegue se vestir sem parecer um botijão em combustão? Sabe-se lá por quê! O fato é que elas se olham. Talvez isso aconteça porque exista um magnetismo entre os bebês morando nos ventres desconhecidos, que se traduz num encontro de olhares das mães. Vai saber…
  2. Os homens também olham. E MEXEM com as grávidas. As cantadas são menos… é… diretas, mas elas existem. Daí que rola um sentimento meio bipolar de “me respeita que eu sou mãe de família” ou “oba! Vem que tem Tô gatinha”.
  3. Sua gravidez passará a ser o assunto preferido das pessoas. Sim, A SUA gravidez estará na BOCA DO POVO e não há nada que você possa fazer pra impedir isso. As pessoas vão falar se sua barriga ficar grande ou pequena, se seus pés incharem ou não, se seu nariz crescer ou não, se seu quadril aumentar ou não, se você ganhar muito ou pouco peso, se seu rosto manchar ou não, se seu cabelo ficar mais brilhoso ou não, se sua barriga ficar pontuda ou não, se você quiser saber o sexo do bebê o quanto antes ou preferir ser surpreendida na hora do parto, se você optar por uma cesariana com o médico da moda ou se quiser ter seu filho na água entoando mantras…
  4. Mas não para por aí. As pessoas se ocupam também do seu pós-parto. Elas vão falar se você quiser contratar uma babá, se você preferir inscrever seu filho numa creche, se você optar por largar seu trabalho, se você resolver colocar o berço do seu filho no seu quarto, se você decidir contar com a ajuda das avós ou não, se você quiser/não quiser/não puder amamentar seja por um período que faz sentido pra você ou pra Organização Mundial da Saúde, se você ler muitos livros sobre gravidez e maternidade ou não ler nenhum, se você, se você, se você… E tudo isso, minha cara, sem você sequer ter feito uma mísera pergunta ou pedido alguma sugestão. Qualquer pessoa pode se sentir à vontade para lhe dizer como se comportar na gravidez ou o que fazer da sua relação com seu filho. Ou seja, ter intimidade com a grávida não é um critério pra despejar opiniões. Elas simplesmente vêm, as pessoas e suas opiniões.
  5. Muita gente quer tocar na sua barriga. Muita!
  6. Não ache que só porque você está com um ser humano inteirinho hospedado na sua barriga, comprimindo seus pulmões, inchando suas pernas e espremendo sua bexiga que as pessoas vão se levantar pra você sentar em ônibus e metrôs. Mesmo se você morar num dito país civilizado  como o Canadá. Você e seu barrigão vão entrar nos ditos cujos e as pessoas vão continuar lendo seus livros ou jogando Angry Birds nos gadgets da empresa do finado Steve Jobs. Daí ou você se segura firme pra não cair e segue, em silêncio, rogando praga em cada uma daquelas pessoas que não te cedeu um assento ou faz um escândalo e reivindica seus direitos. Ou chora. Vai de cada uma.
  7. Algumas pessoas acham que você não tem outro assunto na vida e só te abordam pra falar da gravidez. É bem verdade que aquele serzinho crescendo no seu bucho te toma de uma maneira inquestionável, mas você ainda é capaz de emitir uma opinião sensata sobre as últimas decisões do G-20 ou discorrer por horas sobre a fofoca que leu num site imbecil sobre aquele ator claramente gay que insiste em fazer truque saindo com mulheres.
  8. As últimas semanas da gravidez, aquelas decisivas depois da 37a, em que seu bebê já pode nascer sem ser considerado prematuro, costumam durar muito mais do que os dois trimestres anteriores juntos. É isso mesmo! O que faz com que sua gravidez leve, na verdade, uns dois anos. As tais 40 semanas são uma lenda contada por parteiras e obstetras que só querem enganar as mulheres. Existe um pacto silencioso entre profissionais e mães, mas eu tenho um compromisso com a verdade, então, ó: vai por mim, é pegadinha!
  9. Uma gravidez não é feita só de gente que mete o bedelho na sua vida, que finge que você não existe no transporte público ou que mente pra você. Se você tiver sorte como eu, esses episódios serão minoria. Nesse período especial da sua vida, muita gente também vai te deixar feliz lembrando de você sempre que vir um vídeo fofo (ou louco) de bebê; telefonando/mandando e-mail/SMS/recadinho no Facebook pra saber como você tá, ou melhor, como vocês estão; comprando/doando/emprestando coisas pro seu filho; compartilhando textos e experiências pessoais sobre gestação e maternidade, sempre respeitando o seu ponto de vista (mesmo que vocês discordem completamente); te enchendo de carinho, seja com palavras ou gestos; não deixando você lavar nem um copinho nas festinhas com os amigos; mostrando ansiedade autêntica pela chegada do seu bebê;  e por aí vai.
  10. Uma experiência tão complexa quanto a gravidez pode te ajudar a separar o joio do trigo. Fora, mas principalmente dentro de você. Aproveite!