Quem precisa de Freud quando se tem Oscar Wilde?

Há anos não leio um livro que não fuja das temáticas espiritualista, Ciências Humanas e maternidade. Daí que Nina nasceu e eu pensei: “agora é que danou-se!” Mas eis que me vejo tendo tempo de ler coisas além das atualizações dos meus amigos no Facebook. É bem verdade que o almoço não fica pronto, a vassoura fica encostada no canto e a cama desarrumada, mas pelo menos estou podendo me debruçar sobre clássicos sem os quais não sei como vivi todos esses anos.

Começo por “O retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde. Achei que o maior problema que esse livro me causaria – além de deixar minha pilha de roupa suja um Everest de algodão –, seria achar todas as pessoas do mundo indignas da minha admiração. É que todo mundo vira um tédio quando comparado ao cinismo fascinante de lord Henry (só amor por essa criatura!).

[Pra quem se apaixonou por um smurf, querer ser amiga do personagem de um livro é até um sinal de evolução, né?]

Mas aí no intervalo literário de hoje concedido por minha digníssima e golfântica filha, me deparo com esse trecho do livro: “Children begin by loving their parents; as they grow older they judge them; sometimes they forgive them.” Numa tradução livre pro português: “crianças começam por amar seus pais; à medida em que crescem, elas os julgam; às vezes, elas os perdoam.”

Parei no “às vezes”, que assombra em CAPS LOCK a minha mente.

Pôxa, Oscar, eu tava curtindo tanto seu livro...

Pode me chamar de Brooke Shields

Esse negócio de ter nenê longe da família preocupa, mas, surpreendentemente, não a mim. Meu pai, por outro lado, sabendo do trampo danado que são os primeiros dias com um recém-nascido e, principalmente, conhecendo bem a filha dele, me perguntou, no fim da gravidez:

– Filha, você está lidando bem com o fato de ficarem só você e Maurício com Nina?

– Sim, estou incrivelmente tranquila e confiante. Acho até que vai ser melhor assim.

– É… Tem razão! Se até os meninos d’A Lagoa Azul conseguiram, por que vocês não dariam conta, né?

Maurício e eu curtindo o primeiro banho de mar de Nina

 

Aprendendo a ser mãe com Michael Jackson

Michael Jackson foi um injustiçado! Sofreu horrores na mão do pai, levou pro túmulo a fama de pedófilo, entregou seu rostinho aos piores estagiários em cirurgia plástica e ainda foi acusado de ser um péssimo pai. Mas eu preciso confessar a vocês: Michael é um exemplo pra mim.

Analise comigo. Quando você vê essa foto, o que vem à sua mente?

"Nossa! Michael é um talibã! Coloca burca nos filhos com a desculpa de protegê-los dos paparazzi e sequestradores. Tirem dele a guarda dessas crianças!"

Que julgamento mais precipitado, minha gente. O que eu vejo? Vejo um pai cansado de limpar as golfadas de seus filhos com paninhos de boca bordados pela vovó, que se viu obrigado a usar panos maiores a fim de evitar jatos de azedume em qualquer um que se aproximasse de seus filhos. Ele estava, na verdade, prestando um serviço à sociedade; e você aí chamando o cara de freak. Que coisa feia! Agora, se as crianças dele ainda gorfavam nessa idade, aí já não sei dizer por quê. Sei lá, filho de artista é tudo excêntrico, né?

Eu só sei que o entendo e penso em aderir à moda porque, olha, não é fácil ser mãe de uma bebezica campeã na modalidade 100 metros rasos de gorfada.

Isso, Michael, não liga pra eles.