Neologismos

A mocinha minha filha fala fala fala sem parar. Repete a última palavra de praticamente todas as frases que o pai e eu proferimos, mistura sem conflitos aparentes francês com português numa mesma sentença e, para minha surpresa, cria suas próprias palavras.

Antes de contar o episódio que deu origem a esse texto, é preciso que se faça uma observação. Não é incomum que quando se fala algo sobre o pai, fale-se o mesmo sobre a mãe. Explico com exemplos: à mesa, Nina aponta para a cadeira onde sento e diz “mamãe”, e automaticamente aponta para a cadeira do pai e diz “papai”. É assim também quando, ao dar seus ~lindos~ gritos, eu digo: “Nina, não precisa gritar, assim dói o ouvido da mamãe”. Imediatamente ela aponta para os ouvidos do pai (fazendo cara de dor, claro) e diz “papai”. Ou seja, na cabeça dela, algo que envolve a mãe, envolve o pai e vice-versa.

Agora, esse comportamento inclusivo chegou à forma como as palavras são construídas. O negócio ganhou em complexidade, minha gente. Esses dias estávamos os três no sofá, quando o pai, comentando com ela justamente sobre essa sua habilidade de repetir tudo o que falamos, disse: “filha, você está uma papagaia”. Ela absorveu a informação, pensou um pouco, apontou pra mim e disse: “mamagaia”.

#chupaguimarãesrosa

A pequena bilíngue confusa

Dia desses, líamos um livro e eu perguntava a Nina onde estava tal imagem. Até que chegamos ao ponto da discórdia.

Ou da concórdia, não sei.

– “Onde está o gato?” E a menina me mostra o gato.

– “Onde está o bolo?” E a menina me mostra o bolo.

Resolvo perguntar em francês – coisa que nunca faço – pra matar minha curiosidade sobre a intimidade dela com a língua de Molière.

– “Onde está o chat (gato)?” E a menina me mostra o gato.

– “Onde está o gâteau (bolo, pronuncia-se GATÔ)” E a menina me mostra o gato.

A diversão tá só começando.

Nossos nomes revelam nossa alma

Foi ensinado à menina de 1 ano e 8 meses que mora aqui em casa que os seus pais, assim como ela, assim como todo mundo, têm um nome.

Quando ela tá a fim de falar (né?), ela responde assim às seguintes perguntas:

– Filha, como é o nome do papai?

– Mossí (Maurício). Com direito a linguinha entre os dentes que é pra ficar mais lindinho.

– Filha, e o nome da mamãe, qual é?

– Mala.

E é isso.

 

Sapato, uma palavra com os dias contados

- Filha, fala “sapato”.

– Tchuá!

– “Sapato”, filha.

– Tchuá.

– Sa-pa-to.

– Tchuá.