Neologismos

A mocinha minha filha fala fala fala sem parar. Repete a última palavra de praticamente todas as frases que o pai e eu proferimos, mistura sem conflitos aparentes francês com português numa mesma sentença e, para minha surpresa, cria suas próprias palavras.

Antes de contar o episódio que deu origem a esse texto, é preciso que se faça uma observação. Não é incomum que quando se fala algo sobre o pai, fale-se o mesmo sobre a mãe. Explico com exemplos: à mesa, Nina aponta para a cadeira onde sento e diz “mamãe”, e automaticamente aponta para a cadeira do pai e diz “papai”. É assim também quando, ao dar seus ~lindos~ gritos, eu digo: “Nina, não precisa gritar, assim dói o ouvido da mamãe”. Imediatamente ela aponta para os ouvidos do pai (fazendo cara de dor, claro) e diz “papai”. Ou seja, na cabeça dela, algo que envolve a mãe, envolve o pai e vice-versa.

Agora, esse comportamento inclusivo chegou à forma como as palavras são construídas. O negócio ganhou em complexidade, minha gente. Esses dias estávamos os três no sofá, quando o pai, comentando com ela justamente sobre essa sua habilidade de repetir tudo o que falamos, disse: “filha, você está uma papagaia”. Ela absorveu a informação, pensou um pouco, apontou pra mim e disse: “mamagaia”.

#chupaguimarãesrosa