Pela felicidade de se exercer a paternidade integralmente

É dia dos pais no Brasil (aqui comemora-se em junho) e eu só consigo pensar que ainda falta muito para que os homens sejam protagonistas na criação de seus filhos. Eu não tenho qualquer base científica para explicar profundamente porque as famílias ainda têm nas mães a principal (ou única) responsável por essa tarefa. Tenho minhas suspeitas, mas prefiro não falar delas nesse momento. Me limito a observar. E fico com a impressão de que haveria mais felicidade se não fosse assim.

Os homens estão lá, mas nem tanto. Nem vou entrar na seara de pais que abandonam as crianças ou os maltratam porque senão a conversa não teria fim. Eu falo de algo muito mais “leve”, corriqueiro e aceito. Falo dessas casas em que há papai-mamãe-bebê-cachorro-papagaio, mas o personagem papai é aquela figura distante, que só aparece como provedor ou o pacificador de conflitos que ele nem pôde testemunhar, bem no esquema “quando seu pai chegar, eu vou contar tudo e você vai ver só”. No máximo, o pai é aquele cara que fica olhando o bebê no berço para que a mãe possa tomar um banho rápido. Parece ser um perfil ultrapassado, mas ainda há muito homem com esse comportamento.

Todos sabemos que esse papel não é justo com as crianças nem com as mulheres, mas eu queria dizer que também não o acho justo com os homens. Ganha-se tanto nas trocas de fraldas, nos carinhos antes de dormir, na loucura que é brincar no parque, nos mergulhos no mar, no ensino do manejo da escova de dentes, no acolhimento nos momentos de mau humor e tristeza, na escolha do cardápio, nas reflexões sobre o papel da escola, na hora de desmontar o berço ou de preparar o feijão.

O pai protagonista, que, por favor, não é aquele que “me ajuda”, é o que participa da rotina da cria porque se sente responsável pela pessoa que colocou no mundo e entende que uma mãe que carrega os filhos sozinha fica exausta. Eu tendo a achar que esse pai que se preocupa em acertar, que está atento a como suas atitudes serão assimiladas pelos filhos e que entende que tudo mudou depois da chegada das crianças terá muito mais trabalho, muito menos tempo para si, mas uma sensação de dever cumprido que o preencherá profundamente.

Esse pai que se envolve verdadeiramente na vida dos pequenos está cultivando a própria felicidade, fruto da expressão diária do amor. Simples assim, como são todas as coisas complexas. Dito isso, desejo sinceramente aos homens que se permitem exercer a paternidade integralmente um dia muito feliz. Aos demais, um dia tão feliz quanto, com o bônus da reflexão sobre a força que a presença afetiva de um pai carrega.

Um comentário em “Pela felicidade de se exercer a paternidade integralmente”

  1. gabriela de andrade Disse:
    14 de agosto de 2013 às 15:12

    Demais, Camila. Nao ha como nao pensar nessa presença/ausência… Um viva pros pais despertados !

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