Profanação musical ou o efeito reverso

De umas semanas para cá, dona moça, que dormia por volta das 19h30, resolveu esticar a folia até às 21h30/22h, o que, para dois seres humanos triturados pela rotina – também conhecidos como seus pais – é muito tarde. Cansados, mal humorados de sono e com olheiras evidentes, resolvemos pensar em maneiras de voltarmos ao horário anterior de sono da pequena. Sabemos que ainda não esgotamos as alternativas para tentar fazê-la dormir mais cedo, mas já tem rolado um certo desânimo porque o que tentamos não vem dando certo.

Essa semana apelamos para a música. Possuídos pelo espírito do pedantismo, decidimos colocar música erudita à noite. Bach, aquele fofo, foi o escolhido para acalmar o sistema nervoso daquele serzinho cheio de energia. Não funfou. Foi ligar o som e Nina começou a bater palmas, agitar os braços e rebolar. Pois é, minha filha tem a capacidade de transformar uma obra clássica refinadíssima num show do É o Tchan.

Atônitos, mas ainda confiantes de que a música pudesse ter um efeito benéfico sobre aquela criatura acesa, liguei meu computador e cliquei no link que um conhecido tinha me mandado. Nele, a Ave Maria de Gounod cantada em alemão (falei que estávamos pedantes esse dia). Eu pensei: nessa Deus vai me ajudar, né? Apertei o play e Nina começou a banguear. B-a-n-g-u-e-a-r. Sabe galerinha sacudindo a cabeleira em show de metal? Tire a cabeleira, jogue uma Ave Maria de trilha e visualize um ser humano de pouco mais de 80 cm agitando a cabeça.

Ah! Quer saber? Ela que durma na hora em que quiser. Chega de profanação musical.