Mamãe-bebê-macaco

O que mais me fascinou no primeiro ano da relação mãe-e-filho foi justamente essa hifenização do laço, por assim dizer. Depois de tudo o que vivi, defendo que as palavras “mãe” e “filho” sejam escritas assim mesmo, grudadinhas, porque, afinal, os dois são mesmo um, sobretudo no primeiro ano da fase pós-barriga.

Aqui em casa, dona moça está se encaminhando para os 18 meses, ou seja, ainda guarda muita coisa do nenê de 1 ano, mas já flerta com as descobertas imensas de uma criança de 2. Isso quer dizer que, bem devagarinho, ela tem dado novos significados a esses hífens que nos unem. E eu tenho achado isso uma delícia. Quer dizer, em partes. Vocês vão entender.

Muitos acontecimentos têm me feito perceber essa mudança afetivo-gramatical (a pessoa tá gamada no hífen hoje), mas dois, que aconteceram no mesmo dia, são emblemáticos. Num, eu sou ela. Noutro, eu sou eu. Bem…

Dia desses, olhava as fotos dela recém-nascida (quem nunca?), matando a saudade daquela coisica deliciosamente molenga que há pouco havia saído de mim. Lá estava minha pinduquinha tão frágil e vulnerável em close na tela do laptop, quando sua versão caminhante se aproxima, vê a foto, aponta para a imagem e diz: “mamã”. Nessa hora eu morri e ressucitei umas 500 vezes de amor. Meu coração acelerou, perdi o fôlego, a pressão subiu. Foi coisa, viu? Lindeza de momento! A minha menininha olhava para si e me via. Nossos hífens são de amor legítimo, ninguém tira. Não a corrigi. Aliás, como corrigir quem está certo? Era eu na foto. Claro!

Ainda tremendo diante do computador, continuei vendo mais fotos da minha linduchita versão poucos dias fora do útero, enquanto a menininha-nenê já tinha se mudado para outro canto da casa e mexia aqui e acolá. Cinco minutos depois, ela me pede que leia um dos seus livros preferidos, que mostra uma série de macacos a fim de familiarizar os mini-leitores (hífens, uma tara) com diversas texturas. E lá vamos nós folheando e alisando o livro, vemos o macaco com o rabo muito aveludado, com as orelhas muito macias, com os pés muito delicados, com a barriga muito fofinha… Até que chegamos ao macaco com as sobrancelhas muito peludas. No que Nina aponta e diz: “mamã”.

Olhe, o negócio foi tão traumático que até hoje não tive coragem de marcar a depilação.

3 comentários em “Mamãe-bebê-macaco”

  1. gabriela de andrade Disse:
    15 de abril de 2013 às 12:30

    hahahahhaahah!!! Manera, Nina, manera!!!

  2. gabriela de andrade Disse:
    15 de abril de 2013 às 12:31

    Ah! leia-se “manéra” e não “manêra” tá? Tem toda uma diferença aí! ;)

  3. Camila Disse:
    15 de abril de 2013 às 21:30

    ahahhaha Ainda bem que você fez essa ressalva :o)

Comente