O amor nos tempos do cólera

[Atenção: esse post tem conteúdo altamente nojento e pode provocar repulsa em pessoas sensíveis como um dia eu já fui]

–       Tô indo pra casa te dar um apoio no que precisar, viu?

–       Tem certeza de que não vai ter problema com o pessoal do trabalho?

–       Claro que não! Já tô bem adiantado no que tenho de entregar e vou terminar trabalhando de casa.

–       Que bom!

–       Mas e ela, como tá?

–       Acabei de colocar na cama.

–       E fez cocô?

–       Duas vezes.

–       Naquele mesmo esquema?

–       É. Bem líquido.

–       Mas foi muito?

–       Que nada! Bem pouquinho. Naquele esquema da madrugada.

–       Tipo pum molhado mesmo, né?

–       Exato.

–       E a aparência?

–       A mesma. Tipo clara de ovo e com umas partezinhas amarelas.

–       Mas e as sementes de kiwi ainda aparecem no cocô?

–       Que nada! Já foram todas embora ontem mesmo. Junto com aquele cheiro podre. Afe…

–       E ela tomou a parada pra evitar desidratação?

–       Tomou bastante.

–       Ótimo!

–       Ah! Chegou pelo correio aquela encomenda. Fui atender a porta com ela no colo, ela espirrou, passou o fouet que ela tinha na mão no catarro e ficou lambendo enquanto eu pegava a caixa. Fiquei com vergonha do carteiro, mas não podia fazer nada.

–       Hahah Que cena!

–       Olha, eu tô achando que o que a deixou vulnerável assim foram os novos dentes.

–       Ah é?

–       Vi hoje de manhã que os dois molares inferiores estão despontando e a gengiva tá bem inchada.

–       Os incisivos, Camila!

–       Incisivos, molares… O mundo acaba mês que vem mesmo.

–       Tadinha da pequena…

–       É mesmo… Mas, ó, eu tô super tranquila porque ela não vomitou, tá lacrimejando, com a boca cheia de cuspe e tá bem-humorada apesar de tudo.

–       Só espero que ela tenha todos os dentes.

–       Como assim todos os dentes?????

–       É que a gente tinha lido que os incisivos superiores despontam primeiro, lembra?

–       Ah! Lá vem você me enchendo com paranoia. Logo agora que eu tô ficando tranquila. Que merda!

–       Hahhahahah A gente vai amá-la mesmo assim.

–       Para!

–       Quer que eu leve almoço?

–       Quero!

–       Não deixa de separar o lixo das fraldas, viu? Tá super cheio com essa caganeira toda.

–       Já separei.

–       Ó!

–       Oi.

–       Te amo, viu?

–       Eu também. Vem logo.

3 comentários em “O amor nos tempos do cólera”

  1. Eric Disse:
    12 de novembro de 2012 às 18:50

    “O mundo acaba mês que vem mesmo.”

  2. miau Disse:
    12 de novembro de 2012 às 18:55

    É isso aí. Bj pra vcs todos. Miau.

  3. Telma Disse:
    15 de novembro de 2012 às 19:29

    Em meio a tanto cocô, meleca, etc….significa que ela tá crescendo….
    Parabéns Nina, que seu1º ano de vida seja festejado com bolo, brigadeiro, beijinho e outras delícias, que vc esteja bem para come ressas novidades……Bjssssss

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