1 ano de Nina

Meu tesourinho,

Esse texto poderia ter apenas duas palavras: “um ano”, acompanhadas de uma sequência de exclamações. E isso já diria tudo, pelo menos para mim. Mas não acho justo que você se depare só com esse tantinho de letra quando for capaz e se interessar por ler isso aqui. Então eu vou tentar dizer o indizível de um jeito que lembra mais sua mãe: cheio de blá blá blá.

Esse ano não passou rápido. Ou passou? Não sei. Ninguém sabe. Têm sido dias tão intensos que, como toda mãe, sinto que convivo com você há anos, há centenas deles, há milhares de eras pré-tudo que se sabe ou que nunca saberemos.

Sempre estivemos juntas. Sempre estaremos. Aliás, desde que você nasceu, me esforço a cada dia para assimilar a ideia de eternidade porque só ela será justa para que eu expresse o volume de sentimentos bons que tenho por você.

O que a sua chegada nos proporcionou é muito, muuuito mais do que seu pai e eu imaginávamos. Esses momentos a três me atropelaram com respostas para perguntas que eu nem sabia que estavam no ar, e deixaram um rastro de tantas outras que eu não tenho ideia de como responder. Acho que essas respostas virão com a nossa convivência. Aliás, não virão. Porque sempre haverá outras perguntas. Uma sequência de interrogações que vão me deixar louca, e portanto viva. Amém!

Falando em “viva”, os dias passam e você vai se mostrando. Para si, que é quem realmente interessa. Eu capto o que as minhas limitações permitem. Porque você se basta, minha filha. Eu sou só a moça que troca sua fralda. O resto é todo seu. Em todo seu imensurável potencial de vida, você se encarrega de Ser. E segue me contagiando. Vou sendo o que nem sabia que podia, pegando carona no seu esplendor; qualidade sobre a qual você não pensa, não interfere, não macula; apenas expressa. Porque é o seu natural. Porque você ainda se aproxima da nossa humana utopia do que é ser livre.

Suas conquistas triviais – rolar, sentar, andar, falar – me desmancham e fazem de mim a mãe, a filha, a irmã, a avó, a namorada, a amiga de todos. Ao testemunhar esses seus momentos, sinto como se fosse cada mulher desse mundo. E espiritualmente unida a todas elas, só sou capaz de querer que o mundo seja bom com elas, com os outros, com todos. Porque todo mundo é o filho de alguém. E o filho de alguém só merece o que for de Bem. O resto é erro. Erro profundo. Num mundo povoado pelos filhos de alguéns, o sofrimento é um estado anômalo, uma aberração que esconde a sua verdadeira vocação. Onde há o filho de alguém só pode haver amor.

Mas que fique claro: não é amor o que sinto por você.

É outra coisa.

Não sei o quê.

 

 

Enquanto busco mais essa resposta, encerremos assim: eu não te amo.

Eu te absurdo!

Feliz aniversário!

10 comentários em “1 ano de Nina”

  1. Liza Disse:
    19 de novembro de 2012 às 10:14

    Parabéns para a Nina!!!

    Essa reflexão de “todo mundo é filho de alguém” também já me ocorreu. E isso acaba me deixando mais sensível às questões do mundo, aos atropelos pelos quais passamos. Afinal, todos somos filhos de alguém e também já fomos bebês. É incrível como isso é a mais pura verdade e como, mesmo assim, só me toco disso depois de ser mãe.

    bjim

  2. Aline Disse:
    19 de novembro de 2012 às 10:45

    Perfeito… Bjs!

  3. Karine Disse:
    19 de novembro de 2012 às 10:49

    Tá vendo Nina-sobrinha-amada? Quanta inspiração vc dá a sua mamãe?
    Orgulho de vc, minha irmã!
    Te amo!

  4. Nayra Disse:
    19 de novembro de 2012 às 11:15

    Mila!! Lindo demais!! P@arabéns pelo primeiro ano de vida da Nina de milhões que virão…
    Vc em palavras conseguiu expressar exatamente esse sentimento que não pode ser só amor..é realemente TE ABSURDO!!

  5. Aline B. Disse:
    19 de novembro de 2012 às 11:39

    Que coisa linda é assistir a um amor tão sublime assim.

    PS: Estou esperando um livro seu, viu?? Que dom maravilhoso!!! rsss

    beijos em Nina, menina.rss

  6. Paloma Varón Disse:
    19 de novembro de 2012 às 12:46

    Que lindo, que tudo, que absurdo! Parabéns aos três!!
    Beijos emocionados

  7. gabriela Disse:
    19 de novembro de 2012 às 12:47

    Camila, que lindo! Chorei!!! Sim, a eternidade existe!!! Viva Viva!!! Vcs 3 juntos pra todo o sempre, que alegria!! FELICIDADE Nina, vc é mesmo puro esplendor!!

  8. Patricia Disse:
    19 de novembro de 2012 às 12:49

    Lindíssima declaração de amor absurdo que vc escreveu,e o melhor;tenho uma excelente notícia pra te dar! Esse infinito e absurdo amor só aumenta e a nossa admiração as vezes se torna algo complicado de explicar!
    Parabéns mais uma vez pelo 1º aninho mágico de Nina :)

  9. Marília Disse:
    19 de novembro de 2012 às 16:28

    Parabéns pequeNINA! E a mamãe por essa declaração de amor absurdamente linda.
    Abreijos

  10. Tais lessa Disse:
    19 de novembro de 2012 às 18:17

    Ave Maria, Mila… Estava hj (e todos os dias, ha 1 ano e 2 meses) falando sobre o quao absurdo eh o amor por um filho..e nada, nada, nada na vida eh capaz de nos fazer sentir isso. Nao sabemos onde terminamos e onde começa a nossa cria, pq nao conseguimos mais nos ver sem elas…por isso nao da p imagonar mais como era a vida antes..e pra variar, suas palavras lindas conseguindo dizer o indizivel, rs! Bjs!

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