9 meses de Nina

Aos 9 meses você é um projeto de menininha muito fofo. É verdade que anda meio temerosa na presença de estranhos (leia-se qualquer ser humano que não seja seu pai ou sua mãe), dá seus chorinhos sentidos quando alguém fala mais alto e fica inconsolável quando o carro de bombeiros passa fazendo aquele escândalo. Mas, ainda assim, explode de fofura.

Esses dias aprendeu a imitar meu sorriso e a assobiar (!). Solta beijos quando quer e nunca, nunca quando é solicitada. Seus brinquedos preferidos são chinelos, tomadas, revistas velhas, controles remotos e o emaranhado de fios embaixo da mesa de trabalho de seu pai. As gavetas e portas dos armários também têm um enorme poder de atração sobre você; a gente que se vire pra deixá-las bem trancadas.

Balbucia umas sílabas malucas e as pessoas na rua me perguntam: “mas o que ela disse?” E eu, uma ignorante sincera, respondo: “não faço ideia”. Pois é. Você é uma faladeira do nenelês débutant, língua cujo vocabulário sua mãe esqueceu completamente. Mas apesar dessa falha imensa, nosso grude nesse tempo todo até que faz a gente se entender bem, né?

Moças de 9 meses, depois do banho, põem a toalha na cabeça pra secar os longos cabelos

O pai chega do trabalho

Para ler ouvindo:

17h30. A porta lá embaixo range. A mãe fala com entusiasmo: “é papai, filha!”. A menina de 8 meses e tanto entende. É aquele rapaz bonito que mora com a gente que resolveu reaparecer. E o bebê, que invariavelmente está em pé com as mãos apoiadas no sofá, fica na ponta dos pés, estira-se por completo, acelera o ritmo da respiração, olha para mãe e sorri, vira o rosto em direção à porta esperando a aparição dele, excita-se ainda mais ao ouvir os passos do pai subindo a escada, grita, sonha em equilibrar-se em pé sozinha para poder correr até o exato lugar onde o pai materializa-se, grita de novo, quase vê-se o coração pulando no peito, o pai lhe fala da escada, ela grita outra vez, ele está mas não não está, falta pouco, estica-se de novo e ganha uns centímetros na tentativa de vencer o sofá que a impede de vê-lo, cadê?, por que sabe que ele está e não o vê?, respira forte, ouve a sua voz de novo.

Passados aqueles segundos imensos, o pai finalmente está visível e lhe diz : “oi, meu amorzinho. Que saudade! Tudo bem?” E uma vez no colo do pai, ela não grita, não fica ofegante; está em paz.

Porque eles estão grudados o tempo pode parar.