Conhecendo alimentos sólidos I

Foi Nina fazer seis meses e começou a diversão! E nem tô falando das risadas que vêm aos montes ou dos DADADAs que rendem diálogos demoradíssimos com ela. Eu tô falando da dieta de dona moça, que agora inclui um vasto cardápio. Tô adorando mostrar para ela as delícias que os legumes têm. E, sim, só legumes por enquanto. Nada de frutas. Tá, é verdade que uma banana que eu estava comendo já foi vítima da fúria de um bebê meio sem jeito nos gestos e que põe tudo na boca, e que eu ofereci uma uva partida para ela lamber, mas foi só.

“Mas por que isso, gente? O que você tem contra as frutas?”, pergunta a leitora revoltada chorando lágrimas de sangue olhando para o seu pomar.

Nada! Ao contrário, sou frutólatra (mas hein?) e quero muito que Nina faça a Carmen Miranda. No entanto, tenho me guiado pelas recomendações correntes aqui no canto Norte das Américas, que sugerem – veja bem, SUGEREM – que os pais, no iniciozinho da vida mastigadora do filho, comecem por oferecer legumes, deixando as frutas um pouco mais para frente. Ao me deparar com essa informação, logo me questionei: “mas esse povo inventa é coisa, viu? Aposto que isso é recalque desse país gelado, onde não tem pé de carambola, cajá, umbu, açaí, goiaba” e por aí segui, me perguntando “como assim? E aquela história de papinha de banana, de maçã? Não pode?” Pode, sim! Claro que pode! E muita gente faz isso por aqui, sem problemas!

Na verdade, no guia (de 736 páginas!!!!) que toda mulher grávida nesta terra recebe, especificamente no capítulo que comenta sobre a introdução de sólidos na alimentação, e no papo com a nutricionista do posto de saúde, vemos que não existe a maneira ideal para iniciar nosso pequeno mamífero no consumo de outros alimentos. Não é melhor nem pior começar por frutas, por legumes ou por cereais. Cada país (e dentro dele, cada região ou mesmo cada cidade) faz de uma forma, e a criançada tá aí correndo, pulando e gritando numa boa! Os únicos senões dizem respeito a alimentos como o mel de abelhas, por exemplo, e o temido risco de botulismo.

Sim, mas por que essa insistência em começar pelos legumes? (Ah! E por cereais ricos em ferro). Segundo dizem, o paladar infantil é todo apaixonado pelos sabores adocicados (beijos para quem não amadureceu e gosta até hoje de bala, pirulito, chiclete, c-h-o-c-o-l-a-t-e). E frutas, bom, são super nutritivas, mas, em geral, são gostosas por serem bem docinhas. Daí que dizem também que o que comemos nos dois primeiros anos de vida é essencial para a construção do nosso paladar, então por isso o conselho de dar muito, mas muit0 legume nesse início, sobretudo nos primeiros meses.

Bom, eu não tenho nenhuma base científica para comprovar essas coisas e nem algo ainda mais valioso que isso (malzaê, pessoal da Ciência): a experiência materna. Mas esse discurso meio que fez sentido para mim, embora ache-o meio doido também porque entupir seu filho de verduras não garante que ele crescerá fã incondicional dos vegetais. E muito menos que dar frutas aos pequenos irá prendê-los para sempre no mundo dos doces. É muito disse-me-disse, né, não? De qualquer forma, tenho feito Nina experimentar o máximo de legumes possível; muitos deles docinhos, diga-se (cadê coerência?). Nessas quase três semanas, a mocinha já comeu batata-doce, cenoura, feijão verde e abobrinha.

Ah! Por aqui ainda tem uma outra recomendação (por aí também deve ser assim, eu que não sei): o povo manda oferecer um alimento por vez durante uns três dias consecutivos. “Mas que mandinga é essa?” É que nesse período os pais devem observar se a criança apresentou algum sintoma de alergia ou intolerância ao que comeu. Se a criança comer dois (ou mais) novos alimentos de uma vez vai ficar mais difícil saber o que deve ser repensado/cortado/investigado. Claro que se a família da criança tem histórico negativo com algum alimento, as chances aumentam, mas nada de neurose.

Ah, mas que tanto blá blá blá! Deixa a bebezada ser feliz, comendo alimentos saudáveis e sujando o chão da cozinha, né, não?

"Depois mainha limpa"

5 comentários em “Conhecendo alimentos sólidos I”

  1. Aline/Line Disse:
    5 de junho de 2012 às 10:49

    Massa, Cami! Tenho que fazer uma pasta e guardar estas dicas todas, meu Deus! Espero poder um dia usá-las, rs.

    E me senti super beijada, rs. Sou formiga assumida, né?

    Bjsss bem docinhos procê e pra Nina!

  2. Dayane Disse:
    5 de junho de 2012 às 11:10

    Eu também comecei a introdução de sólidos com vegetais, pelo fato da fruta ser mais fácil de aceitar pelo sabor docinho. Comecei com batata doce e segui o mesmo esquema do mesmo alimento por 3 dias até provar todos e poder fazer misturas. Ah, eu alternava vegetal, fruta e grão.
    Essa fase é muito divertida, eu adorava ver as caretinhas… haha
    Beijos

  3. Grazi Disse:
    5 de junho de 2012 às 11:15

    Camis!!! Riki entrou na onda de frutinhas (desde os 5 meses) e legumes (a partir dos 6) e está amando tudo, igualzinho à irmã nesta fase…
    Mas não sei o que aconteceu com Yumi que, a partir dos 2 anos, de uma hora para a outra (literalmente), decidiu que não quer mais nada colorido no prato!
    Isso é incompreensível!!! Oiiii? Cadê aquela menininha que amava comer arvorezinha (a.k.a. brócolis) com a mamãe?
    Pois é, amiga, acontece nas melhores famílias… The terrible twos!
    Concordo que esta fase até os dois anos são fundamentais para definir o paladar da meninada. Pelo menos, Yumi não gosta de nada doce (incluindo chocolate e brigadeiro), pois nunca foi apresentada ao açúcar até esta idade.
    Mas bem que ela podia continuar comendo aquele prato enooorme de músculo ensopadinho, abóbora, feijão e macarrão, né? A mamãe se vira fazendo bolinho de peixe com inhame e ela nem quer provar… Ela frusta todos os meus sonhos maternais de fazer a comidinha políticamente correta dos meus filhotes… Mas ainda hei de vencer!!!! Rsrsrs

  4. Gabi Disse:
    5 de junho de 2012 às 14:19

    Tambem seguimos a sugestao québécoise e aos 17 meses a Clara saboreia um tomate como se fosse uma maca! Bem vinda à fase glutona, Nina!!!

  5. Pare de tomar a pílula » Blog Archive » Conhecendo alimentos sólidos II Disse:
    29 de junho de 2012 às 07:54

    […] (typeof(addthis_share) == "undefined"){ addthis_share = [];}No texto anterior sobre introdução de sólidos, eu comentei sobre a maneira como os canadenses sugerem que essa […]

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