Era uma vez o quê mesmo?

Aqui em casa temos tentado várias técnicas para colocar Nina para dormir. Não que ela dê lá muito trabalho para isso, mas é sempre bom uma ajudinha de dois adultos desesperados para que ela possa chapar a noite toda para que eles façam o mesmo.

Até pouco tempo atrás, quando ela começava a dar sinais de sono, era só ligar um aparelhinho que imitava os sons que ela ouvia no útero e bingo: bebê dormindo em questão de minutos. Depois que ela decidiu que gostoso mesmo era dormir de lado e não mais de barriga para cima, passamos para um jeito que envolvia papai respirando bem próximo ao ouvido dela e mamãe sacudindo-a levemente de um lado para o outro com a mão na fralda. Era batata!

Mas aí a menininha tem passado dias bem chatinha por conta da gengiva que coça e dói e o funga-funga carinhoso com direito a balancinho ritmado tem sua eficácia questionada. Aí eu pensei: “por que não contar historinhas para ela? Nunca é cedo, né?”

Eu não tinha nenhum livro em mãos, então acionei a minha memória infantil e resolvi contar a saga de Chapeuzinho Vermelho e sua vó que por pouco não foram devoradas por um lobo muito do mau. Como só lembrava do principal da aventura e Nina parecia precisar de uns bons minutos de embromação, fui caprichando nos detalhes imbecis, tipo: “ah… Na cesta da Chapeuzinho, havia cookies de amêndoas, bolo de cenoura com farinha de trigo integral blá blá blá”.

Nina estava concentradíssima, de olhos vidrados pré-sono. Do outro lado da cama, marido, solidário, fazia sinal de positivo com as mãos, como se elogiasse a nova estratégia. Aí fui chegando na parte em que Dona Chapeuzona avisa à filha do lobo mau e eu fui tendo dificuldade de lembrar o que acontecia na tal da floresta: 1. Chapeuzinho realmente se encontrou com o lobo? 2. O lobo apenas espreitou a doce menina? 3. Eles tiveram mais de um encontro na floresta até o fatídico dia em que ele deu o bote na avó? Sem falar que eu queria ensinar ao meu bebê de 5 meses que não há nada mais errado nesse mundo do que desobedecer a mãe. Nunca é cedo para se doutrinar os filhos, certo?

Só sei que no meio de tantas dúvidas, a minha Chapeuzinho do improviso chegava ao bosque feliz e cantante: “Eu vou, eu vou pra casa agora eu vou…” E meu marido, que estava em silêncio para não distrair Nina, caiu na gargalhada. Eu fiquei com uma enorme interrogação na cabeça, até que perguntei: “eu cantei a música errada, não foi?” E me achando espertona por ter percebido meu erro tão rápido, comentei: “Xi… Essa é dos Smurfs, né?”.

Moral da história: Eu preciso urgentemente de uma dose cavalar de ginkgo biloba.

11 comentários em “Era uma vez o quê mesmo?”

  1. Liza Disse:
    20 de abril de 2012 às 08:46

    E a tática para dormir, funcionou??? :-)

    bjim

  2. Camila Disse:
    20 de abril de 2012 às 08:47

    ahahhaha Viu como minha memória tá péssima? Faltou responder isso: sim, Liza, funcionou! Pelo menos isso…

  3. Paulinho Disse:
    20 de abril de 2012 às 09:18

    Conta aquela da princesa que come a maçã no baile onde perde o sapatinho de cristal e fica de castigo numa torre distante até o príncipe subir pelos seus cabelos e levá-la para morar na casa feita de doces onde nasce sua primeira filha do tamanho de uma passarinho que dorme sobre 200 colchões e uma ervilha e morre.

  4. Telma Disse:
    20 de abril de 2012 às 10:40

    Se você quiser saber como é a música da Chapeuzinho, eu sei, na escola já fiz o personagem e cantava….pela estrada afora eu vou bem sozinha levar esses doces para a vovozinha……….
    Nada como uma titia vovó para te salvar rsrsrsrs

  5. Helen Freitas Disse:
    20 de abril de 2012 às 11:50

    Muito bom!! Já vi que vou passar pelo mesmo problema!! Enquanto elas não ouvirem a estória e as músicas corretas, tá tudo certo. Chato vai ser qdo elas falarem: “tá errado mamãe… Não foi assim”.kkkkkkkkk

  6. gabriela Disse:
    23 de abril de 2012 às 01:26

    Mas e aí, ela dormiu?!
    Eu invento histórias, mas ela não dorme não… Ó, aproveita que está aí e traz uns livrinhos pra Nina!! Num bom sebo vc vai encontrar ótimas opções… Marcelo Marmelo Martelo é muito pra cabeça?

  7. gabriela Disse:
    23 de abril de 2012 às 01:28

    vi agora que ela dormiu! Ah, Nina, vc é um anjinho mesmo! Que docinho!

  8. Karine Disse:
    29 de abril de 2012 às 16:45

    Irmã querida? Cd a sua ótima e perfeita memoria que sempre me salvou? Rs…imagine qdo for a minha vez?
    Nos acabamos de rir. Seus textos como sempre maravilhosos com aquele toque de humor que só vc tem.
    Bj enorme.
    Kari

  9. Paloma Disse:
    9 de maio de 2012 às 07:04

    Ahahaha, adorei. Quando a Ciça nasceu, também tive de fazer um intensivão de histórias e músicas para crianças, eu não lembrava de nenhuma. Com o tempo, fui relendo, escutando as músicas de novo e relembrando e ou conhecendo toddo um novo repertório. Clarice já pegou a mãe afiada, mas com bem menos tempo para isso, confesso. Se com Ciça eu lia livros desde que ela tinah dois meses (e me orgulho de que hoje ela AME livros), com Cali, er, bem, eu quase nunca leio. Só se calhar de ela me pedir ou estar junto com a Ciça numa sessão de histórias. Feio, né? Mas eu esqueço (isso só piora com a idade) e sempre acabo brincando de outras coisas com ela. Fora que ela é bem mais agitada que a Ciça, é do tipo que risca e rasga livros, daí eu já fico com medo (besteira minha, deveria era ensinar). Ai, ai, vou escrevendo aqui e me sentindo culpada…
    No mais, seu blog nunca atualiza automaticamente no meu blogroll, vc sabe por que? E o Hemisfério Novo, vc apagou?
    Beijo grande e saudades de ler sobre vcs

  10. Ana F. Disse:
    18 de maio de 2012 às 11:41

    hahahaha, já fiz exatamente essa troca! Otto no bebê conforto, uma cestinha, eu quis dar uma de chapeuzinho e cantei a música dos sete anões…

  11. Pare de tomar a pílula » Blog Archive » Nina em “O pião da casa própria” Disse:
    31 de maio de 2012 às 12:43

    […] poucas semanas atrás, deitávamos juntas na cama, eu conversava baixinho (porque desisti de contar histórias por enquanto), cantava uma canção de ninar, fazia carinho, e ela, muito calminha que estava, acabava […]

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