Blog do dia no MMqD! Urru!

Aquelas linduchas do Minha Mãe que Disse transpiram gentileza e escolheram o Pare de tomar a pílula como blog do dia na seção de mesmo nome lá na página delas. Não é lindo?

Muito obrigada, meninas!

Aí você me pergunta: e cadê o link pra provar que você não tá inventando história? Aqui, ó.

Intelecto e intuição na maternidade

Desde que minha filha nasceu, muita coisa bacana me foi dita sobre essa experiência, mas duas me parecem, hoje, as mais importantes. Uma foi: “o primeiro mês é o mais difícil, depois melhora” (como foi bom ouvir isso!). A outra: “siga sua intuição”.

Com relação a esse segundo conselho, eu ficava… como dizer? Não com o pé atrás, mas, sei lá, no fundo achava que tinha algum exagero romântico nisso aí. Como se as mães todas tivessem se unido para florear um pouco a maternidade, sabe? Felizmente eu estava enganada. Nesses 4 meses, o que mais fiz – além de adiar minha ida à depiladora – foi seguir a minha intuição. E tão intuitiva estava que nem percebia que estava usando ela, a tal da intuição. Ia lá e fazia. Pronto. Dava certo, dava errado, fazia assim, depois completamente assado e voilà: uma hora Nina e eu nos entendíamos como se eu sempre soubesse como fazer. Não sem lágrimas e ranger de gengivas, obviamente.

O outro lado dessa história é que eu sempre gostei de ler. Quando o assunto me interessa, opa!, tamos aí debruçada sobre mil livros, um arsenal de revistas, zilhões de páginas de internet, até e-mail com anexo em Power Point. E, olha, esse negócio de botar menino no mundo me interessa muito! Então, sim, fucei blogs (suas lindas!), me cadastrei em sites, comprei livro, me joguei! Confesso que li, padre. É, confesso. O verbo é esse. Porque parece até que é pecado. Parece que o bicho-mãe não pode fazer uso do seu intelecto para dar um alívio na novidade que é cuidar de uma criaturazinha. Como se os estudos e as reflexões de especialistas ou “simplesmente” de outras mães não fossem (extremamente) úteis e não pudessem aprimorar a tal da venerada intuição materna. Que não é lenda, é linda.

Eu não sei que mundo é esse em que as pessoas preferem resumir tudo a dicotomias, em que é preferível pensar as coisas como contrárias e, principalmente, excludentes, irreconciliáveis. Eu acho que as coisas se somam, depende de como você conduz a história. Um livro sobre o sono dos bebês, por exemplo, ou sobre infância e limites, nunca vai matar o meu estado intuitivo na hora de colocar Nina para dormir ou de enchê-la com os milhões de “nãos” e “sins” que ela vai ouvir da minha boca vida afora. Ao contrário, essas duas instâncias, creio eu, alimentam uma a outra. Ou será que a intuição não me impulsiona a ler tal coisa ao invés daquela outra? Ou será que aquilo que aquele cara disse sobre aquela coisa e que casa exatamente com o que eu sinto não me dá aquele empurrãozinho que eu precisava para fazer do jeito que eu já queria, mas vacilava, sabe-se lá por quê?

Minha mente e meu sexto sentido estão mergulhados na imperfeição até o pescoço, mas convivem em paz.

4 meses de Nina

Meu amorzinho,

há 4 meses olho para você e vejo tanta beleza, tanta entrega, tanta alegria, tantas vontades… Tudo em você é tão espantosamente autêntico! Não há lugar nem hora para você ser quem você é. Você é. Sempre. Tudo. Um contraste assombroso em relação ao comportamento de sua mãe, que, crescida, adequa-se a todo instante ao outro, esquecendo-se de si. Uma sucessão de limites, filha.

Eu quero conversar tanto com você sobre essas coisas. Tomara que você se interesse por essas prosas e goste de trocar uma ideia comigo. Eu vou adorar despejar minhas bobagens para saber o que você pensa. Mas não antecipemos os dias. Por enquanto, fiquemos assim: você genuinamente você e eu matutando.

Aproveite-se, minha pequena!

O que sinto nesse dia da mulher

Eu não sou muito boa com datas comemorativas em geral. Não costumo fazer festa no meu aniversário, tenho uma revoltinha adolescente com o Natal e agora, aparentemente, nem do dia do meu casamento eu lembro mais. E aí tem o Dia Internacional da Mulher, comemorado hoje. Data necessária. Infelizmente.

Pequena, eu achava de uma babaquice atroz quando, no 8 de março, distribuía-se no comércio flores para as mulheres que passassem. Eu não entendia porque tinha um dia só para as elas. Não sei se Camilinha era um poço de recalque, já que ainda era muito nova para ser considerada mulher e, portanto, teria de esperar até o dia 12 de outubro (uma eternidade!) para ser lembrada pelo seu “status”. Notem que eu não questionava o porquê de haver o Dia das Crianças.

Fui crescendo e me contaram a história trágica das mulheres que morreram queimadas numa fábrica nos Estados Unidos. Depois eu descobri, salvo engano, que o incêndio nem foi no dia 8 de março. Mas isso não importa. Elas fizeram história e são merecidamente lembradas até hoje. Dito isso, minha relação com o Dia Internacional da Mulher era mais racional que afetiva. Eu entendia, mas não sentia. Sei lá, talvez porque eu nunca tenha me visto como mulher, mas como gente.

E aqui cabe uma explicação:  antes que você ache que eu estou fazendo algum autoelogio, vendendo uma autoimagem de ser evoluído, capaz de ultrapassar as barreiras de gênero, eu digo que essa percepção era fruto da mais pura sorte que tive na vida ou da minha total incapacidade de perceber que estava sendo maltratada por ser mulher. E digo mais: essa percepção tem mudado. Aos poucos essa ingenuidade tem dado lugar a uma maneira um pouco mais apurada de perceber a presença da mulher na sociedade. Na maioria dos casos ainda é assim: mulher é mulher e homem é homem. Mas mesmo essa visão um pouco mais sofisticada era mais pensada do que sentida.

Só que eu engravidei.

E engravidei de uma menina.

Pronto! Sem que eu tivesse escolhido, um oito de março profundo surgiu em mim a partir daquele coquetel de hormônios para que minha filha se fizesse. Mais uma vez foi a minha vida que fez isso por mim. É como se eu não tivesse nenhuma participação nisso. Tá, eu me entreguei, eu vivi a gestação o mais intensamente que pude, mas o mérito é daquelas 41 semanas, não exatamente meu. Até um batom vermelhão eu comprei nessa época; logo eu, que mal passo um gloss.

Eu me senti, pela primeira vez na vida, mulher. Que nada! Foi muito mais do que isso, eu me senti, pela primeira vez, unida a todas as mulheres do mundo. Todas elas. As que existiram, as que estão e as que virão. Aquelas das quais a gente se orgulha e aquelas que a gente despreza. As que ficaram em casa e as que queimaram sutiãs. As que amam homens e as que amam outras mulheres. As que sofrem e as que gozam. As que pariram muitos e as que não terão filhos. Eu poderia escrever parágrafos sobre mulheres em situações díspares só para dizer que nenhuma me escapou. Para mim, foi preciso viver um tempo com 2 úteros e 4 ovários para que todas elas passassem a me acompanhar de um jeito mais real, com empatia e admiração. E eu não consigo mais abandoná-las. Sorte a minha porque hoje eu sinto essa data.

Feliz dia intergalático da mulher!

Um bebê graduado

Eu jurava que ia conseguir escrever toda terça-feira sobre como foram as aulas para mães de primeira no posto de saúde aqui do bairro, mas não deu. Eu falei sobre o primeiro encontro aqui e sobre o segundo, aqui. Daí que no meio da terceira aula, eu já tinha um post prontinho na cabeça, com as informações que estava aprendendo e umas piadinhas idiotas que só minha mãe acharia graça (mais do que nunca, hoje entendo que a mãe gostar de algo que a gente faz não nos confere nenhum mérito!). Mas aí, no fim do papo, a enfermeira responsável disse: “olha, não deixem de vir na próxima semana, pois falaremos sobre técnicas para desengasgar o bebê. Espero vocês!” e sorriu.

Eu saí de lá já em p-â-n-i-c-o. Como assim engasgar? Isso nunca vai acontecer com filho meu. Repitam comigo: “isso nunca vai acontecer com filho meu!” Amém!

Veja bem, não é aquela engasgadinha com leite, suquinhos, água, saliva etc., não. A criatura ia falar daquela engasgada do mal, em que o ar não passa, e a criança sufoca. (Ai, gente, quero apagar esse parágrafo. Pensar numa coisa dessas dá calafrios…). Então foi isso, eu meio que traumatizei e não quis mais vir aqui falar nada.

Passadas 3 semanas, eu repensei e acho válido colocar aqui um link em português de como desengasgar bebês, caso alguma comida ou algum objeto fique preso na garganta. Mas, ó, juro que tô colocando isso aqui desejando que ninguém nesse mundo nunca, nunquinha precise usar: http://brasil.babycenter.com/baby/protecao/engasgo/

Saiba só por saber porque você nunca vai precisar usar, tá?

Na sequência veio uma outra aula meio hipocondríaca, sobre a farmacinha básica para quem tem filho pequeno. Eu não sou muito a fim de usar remédio, mas há momentos em que eles são realmente necessários, então melhor saber o que comprar. Uma dica que achei ótima e que toda mãe deve saber, mas só euzinha aqui, recém-chegada a esse status, não sabia e achei a descoberta do século foi o tipo de remédio para baixar a febre do bebê: supositório. Além de ter ação mais rápida (cerca de 20 minutos depois de aplicado, ao contrário dos 40 minutos das gotas), o supositório não foge (beijo para quem riu imaginando a cena). Mas para evitar que o supositório fuja (outro beijo para quem riu de novo), vale segurar as nádegas do bebê por uns cinco minutinhos para que o remédio não escape (é, eu ri mais uma vez). Pelo menos foi o que a enfermeira disse e eu achei bem coerente. Quem tiver outras dicas ou discordar desse negócio de supositório no bumbum que mamãe limpou, fique à vontade para compartilhar!

Hoje foi a última aula e fizemos um balanço do que vimos, tiramos algumas dúvidas, recebemos uma lista com lugares aqui do bairro para se fazer atividades, pagas ou gratuitas, com crianças de várias idades. E, por fim, ainda tivemos “solenidade de formatura” e tudo, com direito a chapéu de cartolina feito na hora pelas mães.

A número 1 da turma em chupação da própria mão.

Quem precisa de Freud quando se tem Oscar Wilde?

Há anos não leio um livro que não fuja das temáticas espiritualista, Ciências Humanas e maternidade. Daí que Nina nasceu e eu pensei: “agora é que danou-se!” Mas eis que me vejo tendo tempo de ler coisas além das atualizações dos meus amigos no Facebook. É bem verdade que o almoço não fica pronto, a vassoura fica encostada no canto e a cama desarrumada, mas pelo menos estou podendo me debruçar sobre clássicos sem os quais não sei como vivi todos esses anos.

Começo por “O retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde. Achei que o maior problema que esse livro me causaria – além de deixar minha pilha de roupa suja um Everest de algodão –, seria achar todas as pessoas do mundo indignas da minha admiração. É que todo mundo vira um tédio quando comparado ao cinismo fascinante de lord Henry (só amor por essa criatura!).

[Pra quem se apaixonou por um smurf, querer ser amiga do personagem de um livro é até um sinal de evolução, né?]

Mas aí no intervalo literário de hoje concedido por minha digníssima e golfântica filha, me deparo com esse trecho do livro: “Children begin by loving their parents; as they grow older they judge them; sometimes they forgive them.” Numa tradução livre pro português: “crianças começam por amar seus pais; à medida em que crescem, elas os julgam; às vezes, elas os perdoam.”

Parei no “às vezes”, que assombra em CAPS LOCK a minha mente.

Pôxa, Oscar, eu tava curtindo tanto seu livro...