Pariu, então é hora de estar linda, minha cara

Dois dos poucos posts que esse blog recém-criado tem até agora falam de beleza, ou da tentativa de atingi-la, recuperá-la, evitar estragos, que seja. Num deles, me queixo da menina com a barriga de tábua que corria na esteira ao lado da minha; no outro, sugiro um produto para evitar o aparecimento de estrias na barriga durante a gravidez. Barriga, sempre ela!

Eu não sou das mais vaidosas, mas considero o cuidado com a aparência algo legítimo, saudável até. No caso das mães, as mudanças que a gestação e o pós-parto impõem aos nossos corpos podem repercurtir na imagem que fazemos de quem somos de uma maneira mais ou menos poderosa. E seja lá como for o processo de cada uma, o que fica é a certeza de que tudo o que acontece com a gente repercute nos nossos filhos, é ou não é? Então nada mais legítimo e saudável do que cuidar de si para cuidar bem do outro, no caso aquele outro que não se acha outro, acha que é você.

Daí que nesse mundo da pressa e do parecer, depois que o menino saiu da barriga, pá pum, é hora de estar linda, minha cara. Esse papinho de que a barriga levou 9 meses para crescer e levará outros 9 (ou mais!) para diminuir é coisa de gente antiquada, de mulher que vivia para família, não tinha outra ocupação na vida, não saía e por aí vai.

Eu preciso confessar que se isso é ser antiquada, meus pés cravados no passado.

Eu tenho essa mania besta de (na mioria das vezes, vai!) respeitar os limites que o meu corpo me impõe, principalmente quando se trata de coisas grandiosas como gerar uma outra vida e cuidar dela do lado de fora. Vejam bem, nada contra quem quer ficar gata depois de parir. Seria no mínimo hipocrisia da minha parte tentar fazer o gênero mãe das cavernas. Eu voltei a malhar com uma nenê de 2 meses em casa, lembram? Bom, eu preciso de endorfina para ser uma pessoa minimamente sociável, mas não deixemos o meu vício em substâncias químicas mudarem o foco da prosa. O que me incomoda nessa conversa toda é essa “obrigação” de se estar linda (leia-se magra) custe o que custar.

Compartilho aqui algumas manchetes e trechos de notas que tocam nesse assunto e que são da época em que estava grávida só para ver se elas explicam melhor o que estou tentando dizer:

É, eu sei, eu não deveria ler sites que publicam esse tipo de nota ~jornalístico-investigativa~, mas, pô, posso me permitir uma leitura estúpida e descompromissada de quando em vez? Não, pera, essa desculpa é melhor: posso entrar em sites noticiosos de qualidade duvidosa com o intuito de fazer uma pesquisa antropológica informal? (Limpei minha barra com vocês contando essa mentirinha?)

A verdade é que, além de poderem despertar uma vontade incontrolável de fazer que nem a atriz Fulana de Tal que, com 3 semanas de parida já estava exibindo seu tanquinho nas águas de Ipanema, e, por conta disso cometer sacrifícios injustificados ou, pior, prejudicar a relação com seu filho e/ou a saúde de ambos, essas notas refletem o que muita gente pensa: “hoje em dia só embaranga depois de ter filho quem quer”, “isso é coisa de mulher desleixada”, “os filhos vão ter vergonha de ter uma mãe gorda” e outras frases carentes de amor e tolerância.

Esse acordo coletivo da aparência padronizada, que desrespeita tendências genéticas, gostos pessoais e o tempo do corpo, me tira do sério. Eu não sei, viu? Fico aqui me perguntando, no meio de tanta exigência com a aparência, que tempo sobra para viver intensamente a razão do pós-parto por excelência?

Temperando Nina

Bem que a enfermeira disse que as crecas de secura da cabeça dela iam sair com azeite de oliva.

Aprovado!

3 meses de Nina

Meu amorzinho, você chegou aos 3 meses e acho que posso resumir essa sua fase em uma palavra: boca. É com ela que você sorri para mim, para seu pai ou para qualquer pessoa que mexa com você. A menos que você esteja nos seus momentos hiper analíticos, nos quais o que você mais quer é observar silenciosamente o mundo tão cheio de novidades à sua volta. É com ela, sua boca, que você inicia conversas que duram looooongos minutos. Você capricha no nenelês nível básico e, claro, seu pai e eu disputamos o posto de abestalhado do ano rindo muito após cada monólogo seu. Ah! E é na sua boca que você adora colocar as suas mãos, principalmente um tal polegar.

Esses dias fui separar as roupas dos seus primeiros dois meses de vida, emprestadas por sua amiguinha Clara, para que outra menina, que deve nascer em breve, possa usar também. Ao colocá-las nas sacolas lembrei de momentos nossos enquanto você as vestia, até que me deu um apertinho no peito por sentir na pele aquele clichê que toda mãe repete mantricamente porque é a mais pura verdade: passa rápido. Passa mesmo, filha! Como assim seu pescoço não é mais tão molinho? Como assim você se acostumou a tomar banho dado por mim, uma egressa d’Os Trapalhões? Como assim você não cabe mais naquelas roupinhas que lhe serviam tão bem até outro dia? Como assim a gente tá junta há um ano?

Como assim você não tem mais as coxinhas pelancudas?

Figuração em filme de Bang Bang

Se você conhece alguém no ramo do cinema, por favor, avise-o que euzinha aqui sou um talento para fazer figuração em filme de Bang Bang. Minha especialidade? Papel do rolo de feno. E com a vantagem de ter uma pegada totalmente ecológica, pois, no lugar do feno, forneço material que seria descartado e não tem prazo de validade: cabelo.

Não entendeu nada? Então clica aqui.

A descoberta das mãos (e da castração)

Nina tá descobrindo as próprias mãos e nós estamos babando! Não mais do que ela, obviamente, que é pura saliva nos dedinhos. E é um tal de tentar colocar o punho inteiro na boca, sugar a palma da mão, fazendo sons de chups chups que podem ser ouvidos por toda a vizinhança… Um rebuliço! E toda essa movimentação das mãos tem longas pausas para a mais pura contemplação do próprio corpo.

“Nossa! Que fascinante! É minha?”

E rimos, o pai e eu, ridículos, achando o máximo mais esse avanço. Projetamos funções digníssimas praquele par de mãozinhas: pianista? Violonista? Escultora? Artesã? Pintora? Restauradora de afrescos em capelas centenárias seja na Europa ou nas Américas com direito a premiações milionárias e reconhecimento internacional pelo trabalho feito com tanto esmero que a levou à descoberta de técnicas revolucionárias de conservação do patrimônio artístico-cultural mundial?

Fitando sem parar aquelas mãozinhas, me lembro de que tenho de cortar as unhas dela. Opa! Hora de mudar o foco. Tento pensar em algo que não exija nenhum esforço da minha parte e volto a imaginar o que Nina vai querer fazer da vida quando crescer… Veja bem, todo esse devaneio porque a pobre criança, como toda e qualquer uma da mesma idade, está expressando o básico da sua fase oral. Apenas isso.

Continuamos distraídos, marido e eu, emocionados com o futuro que nossa filhota tem nas mãos (rá!), e rimos, tiramos fotos, fazemos filmagem, um auê, uma alegria sem tamanho até que:

Chupar dedo NÃO, filha! NÃOOOOOOOOOO!

 

Segundo dia de aula ou Nina, a aluna truqueira

Hoje foi o nosso segundo dia de aula no curso para mães de primeira viagem oferecido pelo posto de saúde do bairro (pra ler sobre a primeira aula, clique aqui). Como o encontro dura só uma hora e meia, os assuntos propostos pra cada dia não são aprofundados a ponto de você sair de lá se sentindo uma enciclopédia da primeira infância, mas já dão uma boa base pras mais perguntadeiras tipo eu interessadas.

O papo de hoje rolou em torno do desenvolvimento do bebê. Aquela conversa toda sobre quando nossas delicinhas começam a sorrir, rolar, ter dentes, engatinhar, comer sólidos, andar etc. É bem bacana poder antecipar na nossa imaginação o que nossos filhos estarão fazendo daqui 1, 2, 3 meses, mas o que vale é a máxima de que “cada criança se desenvolve de uma forma diferente”. E fim de papo.

A enfermeira também ensinou umas técnicas de massagem pra fazermos nas nossas crias. Pena que nessa hora tão gostosa Nina ficou de rango e preferiu cair de boca no leite a ser bezuntada. Aliás, é bem legal observar o comportamento de cada nenê durante as aulas.

Um dos meninos – uma graça! – é mais chorão. Observa tudo atentamente, mas prefere ficar sentadinho no colo da mãe a ser colocado no tapete, senão abre o berreiro. Outro menininho – troço! – é o mais quietinho; prematuro, participa de tudo, mas é mais delicadinho e exige um cadinho mais de cuidado. Uma das meninas, a mais velha da turma – o auge da gostosura do alto dos seus 5 meses – é a que mais interage nas brincadeiras e é usada como exemplo pra tudo. A outra coleguinha – linda de babar – não chora, sorri quando tem de sorrir, presta atenção quando tem de prestar atenção e seus cabelos imensos não despenteiam nem quando tira o gorro.

Já Nina é aquela aluna truqueira. É a primeira a chegar pra bater um papo sozinha com a monitora e ganhar moral porque cumpre os horários. Observa absolutamente tudo, fazendo a pobre mãe girar feito um peão pra que seus olhinhos registrem tudo o que está ao seu redor. Dá um risinho faceiro toda vez que falam com ela, mas é só a aula começar pra ela cair no sono, dormir pesado, chapadona!

Sabe aquela colega que é simpaticona com os professores, bróder da galera, mas que vive dormindo na sala de aula e te liga sempre dois dias antes da prova pedindo pra você levar suas anotações porque ela quer xerocar? Pois é.

Nina, maridón e eu no Minha mãe que disse

Você esquece do seu aniversário de casamento, com muito custo supera o trauma e faz uma graça no blog pra ver se o marido leva na esportiva essa total falta de consideração da sua parte, daí BOOOOM: vai parar no Minha mãe que disse. Tô no lucro ou não tô?

Ah! E você não sabe o que o MMqD? Larga de ser boba e corre lá porque as meninas são luxo, poder e sedução.

Primeiro dia de aula de Nina

Pois é, minha gente. Criar filho na América do Norte tem dessas. Os pirralhos não chegam nem aos 3 meses e já vão pra escola. Hoje é dia de competição, bebê! Money, money, money.

Tá, é mentira; deixa eu desconstruir o sensacionalismo do título do post.

Recomençando…

Ontem, Nina me acompanhou na primeira aula para mães de primeira viagem. O curso é gratuito, dura seis semanas e é oferecido pela rede de saúde pública do Québec. Os temas são bem básicos. Exemplo: como identificar e atender as necessidades por trás dos chorinhos dos nossos filhos; as etapas do desenvolvimento da criança; a importância de se criar uma rotina; o que fazer no caso de febres, gripes, constipação etc. Nada que a gente não possa descobrir numa busca bem feita pela internet, é verdade. Ou consultando outras mães, obviamente!

Embora só tenha participado de um encontro até agora, acho que vale a pena fazer parte do grupo; menos pelo conteúdo apresentado pela enfermeira responsável, e mais pelo fato de estar em contato com outras mulheres na mesma situação que a minha. Isso significa estar ao lado de mães (e pais) com tantas olheiras dúvidas quanto eu, aprendendo com os erros e os acertos deles. Sem falar que é maravilhoso poder estar ao lado de outros adultos que entendem exatamente e, principalmente, não se incomodam com os choros e gritos dos nossos filhos.

No caso de uma sociedade como a canadense, cheia de imigrantes recém-chegados, esses cursos são ótimos pra nos ajudar a conhecer outras pessoas (quem sabe não sai uma amizade dali?) e fazer com que nos sintamos acolhidas num momento que pode ser de tanta vulnerabilidade pra algumas mulheres, que prefeririam estar ao lado de suas famílias em seus países de origem.

No fim de cada aula, ainda rolam umas musiquinhas infantis em inglês e francês, que euzinha aqui desconheço completamente. Ainda bem que nessa hora Nina dormiu e se poupou do constrangimento de me ver tentando pescar sílabas. Pra aprender que a mãe dela ainda vai fazê-la passar muuuita vergonha nessa vida nem precisou de curso. Menina prodígio!