Sambando na cara da insônia

Eu preciso compartilhar esse momenro com vocês. E tem de ser em caixa alta:

AOS DOIS MESES E 10 DIAS DE VIDA, NINA DORMIU A NOITE TODA!

Cadê fogos de artifício? Pode sair de chinelo na neve? Posso abraçar estranhos na rua?

Tá, eu sei, eu sei. Ela ainda é muito pequenininha pra dizer que, a partir dessa noite, se instala uma tendência de horas e horas de sono noturno, mas, pô, posso comemorar? Só hoje?

Xô, estria!

Já que esse blog virou o muro das lamentações fúteis, eu vou contar uma historinha pra vocês, que culminará na dica preciosa de um produto milagroso.

Na adolescência, eu participei de um concurso um pouco é… diferente: a soteropolitana com mais estrias no corpo. Não vou entrar em detalhes pro post não ficar muito longo, mas, resumindo, o que rolou foi que deixei o corpo de jurados boquiaberto, ganhei de lavada, virei competidora hors concours e o prêmio passou, então, a levar o meu nome. De maneira que existe a Medalha Camila Novais de Mulheres Estrientas. Que orgulho, minha gente!

Ou não.

Daí que quando engravidei, eu tinha certeza de que a minha singela barriguinha ia estourar de estria. Mas, olha, vocês acreditam que a minha expectativa foi frustrada? Alguém aí disse “graças a Deus”? Pois bem, Nina ficou hospedada 41 semanas e 1 dia no meu bucho e ele ficou sucesso, lisinho. Um salve pra indústria de cosméticos!

O santo milagreiro: Biovergetures, da Biotherm. Valeu cada centavo dos CAN$ 50,00 + taxas (!!!) a bisnaga de 150 ml.

Voltando a malhar

Eu tava animadona pra voltar a correr. E hoje tudo deu certo! Nina acordou, mamou e voltou a dormir a tempo de me deixar ir à academia e retornar antes da hora de marido levantar pra pegar no batente. Até o tempo tava gostoso pra me fazer deixar ainda no escuro o quartinho aquecido: aprazíveis – 8°C (juro que não estou sendo irônica).

Daí que saí linda (cê jura?), loira (oi?) e saltitante (pulando os montes de neve), sonhando em retomar o treino. Chego na academia confiante, cumprimento com um sorrisão a nova recepcionista, subo feliz na minha esteira de estimação e começo: 2 minutos de corrida e 1 de caminhada, pra não forçar o corpo que há meses não acelera. Nos fones, “Da lama ao caos”, de Chico Science & Nação Zumbi, meus fiéis companheiros de malhação.

Tava tudo esplêndido até que…

A filha de chocadeira moça da esteira ao lado tira a camisa e começa a correr só de top, sambando na minha cara a barriga magriiiiiiiinha-magriiiiiiiinha. Mas que bosta de país é esse em que mulheres com aquele corpo podem ficar ao lado de recém-paridas? Essa merda desse Canadá não tem uma lei que proíba isso? Cadê o poder judiciário quando a gente precisa dele? Cadê autoridade policial?

Cadê vontade de viver?


“Molambo eu”

2 meses de Nina

Ou “Cadê o recém-nascido que tava aqui?”

Aquele trocinho pelancudinho e que pouco interagia sumiu. Puf! Desapareceu! Agora, a menininha que morou 41 semanas e 1 dia na minha barriga sorri horrores, faz caras atentas quando o pai canta uma música nova e trava longos diálogos com os avós paternos, que vieram do Brasil encarar o inverno canadense só para conhecê-la.

Minha pequena mira os nossos olhos como se pudesse acessar a nossa alma. Como olha fundo a minha menina, desarmando o meu cansaço e solidificando uma intimidade cuja dimensão será sempre um assombro para mim. Amém!

Às vezes faz com as mãos gestos idênticos aos do avô materno; ao pai, às vezes, lembra o irmão mais velho; para a avó materna, às vezes, vem a imagem da minha cunhada quando nenê; eu, às vezes, vejo minha irmã… É assim… Às vezes vamos reconhecendo a mistura que ela carrega, a expressão daqueles que a antecederam. Um caldeirão genético que a faz única.

Obrigada, minha pinduquinha, pela confiança irrestrita. Prometo estar sempre atenta para lhe fazer jus.

Pode me chamar de Brooke Shields

Esse negócio de ter nenê longe da família preocupa, mas, surpreendentemente, não a mim. Meu pai, por outro lado, sabendo do trampo danado que são os primeiros dias com um recém-nascido e, principalmente, conhecendo bem a filha dele, me perguntou, no fim da gravidez:

– Filha, você está lidando bem com o fato de ficarem só você e Maurício com Nina?

– Sim, estou incrivelmente tranquila e confiante. Acho até que vai ser melhor assim.

– É… Tem razão! Se até os meninos d’A Lagoa Azul conseguiram, por que vocês não dariam conta, né?

Maurício e eu curtindo o primeiro banho de mar de Nina

 

Aprendendo a ser mãe com Michael Jackson

Michael Jackson foi um injustiçado! Sofreu horrores na mão do pai, levou pro túmulo a fama de pedófilo, entregou seu rostinho aos piores estagiários em cirurgia plástica e ainda foi acusado de ser um péssimo pai. Mas eu preciso confessar a vocês: Michael é um exemplo pra mim.

Analise comigo. Quando você vê essa foto, o que vem à sua mente?

"Nossa! Michael é um talibã! Coloca burca nos filhos com a desculpa de protegê-los dos paparazzi e sequestradores. Tirem dele a guarda dessas crianças!"

Que julgamento mais precipitado, minha gente. O que eu vejo? Vejo um pai cansado de limpar as golfadas de seus filhos com paninhos de boca bordados pela vovó, que se viu obrigado a usar panos maiores a fim de evitar jatos de azedume em qualquer um que se aproximasse de seus filhos. Ele estava, na verdade, prestando um serviço à sociedade; e você aí chamando o cara de freak. Que coisa feia! Agora, se as crianças dele ainda gorfavam nessa idade, aí já não sei dizer por quê. Sei lá, filho de artista é tudo excêntrico, né?

Eu só sei que o entendo e penso em aderir à moda porque, olha, não é fácil ser mãe de uma bebezica campeã na modalidade 100 metros rasos de gorfada.

Isso, Michael, não liga pra eles.

Recém-nascido não faz plano pro ano novo

Eu gosto da virada do ano. Gosto da ideia de usar o calendário para alimentar a esperança, elaborar planos, desengavetar nossos sonhos…

Mas sabe quem não precisa pensar em nada disso? Um recém-nascido. E nem tô falando porque a principal preocupação dos bichinhos seja chorar pra mostrar que estão com fome, com fralda suja ou calor. Digo isso porque a transformação no caso deles é diária e independente da sua vontade. Hoje entendo o que me disseram minhas amigas já mães quando Nina nasceu: “aproveite porque passa muito rápido”. Passa mesmo. É espantoso!

Fora todas as novas habilidades adquiridas pela minha filhota nesse mês e meio de vida, fico absurdada com as transformações físicas dela nesse período. Acompanhe comigo:

Do hospital trouxe pra casa um pacotinho em torno de 3 kg que mais parecia uma sósia de Mr. Magoo:

“Olhos inchados os meus? ‘Magina...”

Passados alguns dias, a menina foi aumentando o apetite, ganhando peso e preenchendo as pelanquinhas com as gorduras mais gostosas do mundo. E onde essas gordurinhas foram se instalando primeiro? Nas coxas? Nas bochechas? Não! Na papada:

Mr. Magoo foi se transformando numa coisa assim: Jabba, the Hutt.

Outros dias se passaram e os cabelos começaram a cair. Mas só os do meio, criando um look meio caiapó:

“Bate forte o tambor, eu quero é tic tic tic tic tac”

Então hoje é assim. “Nome completo, mademoiselle?” Nina Magoo Hutt Caiapó, muito prazer.