O que dizer às crianças sobre o Natal se você não é religioso…

…e/ou tem questões mal resolvidas com Papai Noel?

Eu não cresci num ambiente religioso. Embora batizada na igreja católica quando bebê – muito mais pela simples repetição de uma tradição do que por convicção religiosa, creio eu –, nunca frequentei a santa igreja, nem fui (des)estimulada por meus pais a seguir este ou aquele credo. No entanto, mesmo não tendo uma religião herdada da família, sempre comemorei o Natal. Amava estar com meus primos, dormir tarde, comer coisas diferentes e, obviamente, receber presentes.

Aí a adolescência chegou e eu fiquei intragável questionadora. Continuava feliz em receber presentes (veja bem o golpe), mas ficava incomodada com esse negócio de usarem as populares festas pagãs do solstício de inverno do hemisfério norte e dizerem que foi a época em que Jesus nasceu. Nada contra o nazareno – pelo contrário, me amarro! –, mas não consegui me libertar dessa pulga atrás da orelha. Pra piorar, ainda tem o barbudo da Coca-cola, que não tem nada a ver com os pagãos nem com os cristãos.

De modos que na minha cabeça essa festa é assim: não me recuso a comemorar a data, ou seja, a estar na companhia de quem gosto (tem coisa melhor?), comer umas comidinhas caseiras e, quando tenho grana eventualmente, dar presentes. Aqui em casa o combinado entre marido e eu é que não compramos nada um pro outro. Sem choro, sem drama. A vida segue linda.

Mas aí eu pari, né? E, embora saiba que passamos pros filhos aquilo no que acreditamos, eu penso no convívio social. Então me vejo num dilema ridículo: serei eu a monstra a dizer a minha filha que Papai Noel non ecziste? Será que é tão nocivo assim deixá-la acreditar por um tempo que é possível que um homem dê conta de, numa única noite, entregar sozinho presentes para todas as crianças do mundo (exceto as miseráveis), a bordo de um trenó que voa puxado por renas? Ainda bem que não preciso pensar nisso esse ano.

De qualquer maneira, feliz natal, feliz sábado, que Jesus te abençoe, que Papai Noel te encha de presentes, sei lá!

8 comentários em “O que dizer às crianças sobre o Natal se você não é religioso…”

  1. DJ Disse:
    23 de dezembro de 2011 às 15:30

    Muita coisa – sou otimista! se eu fosse um pouco mais realista, diria TUDO! – vai mudar a partir do nascimento dela. E você vai entender certos “mistérios” sobre a relação de seus pais com você, que nunca dantes no quartel de Abrantes você pensou em aceitar/entender/explicar. E não pense que é temporário. Pariu? A mudança é PRA SEMPRE.

  2. Eric Sobral Disse:
    23 de dezembro de 2011 às 16:09

    Eu nunca fui muito de comemorar natal com ceia e montando árvore. Presente? Só quando eu ainda era bem pequeno e acreditava em papai noel (o último que eu lembro foi um patins e o cd de mamonas assassinas – no ano que eles morreram).

    Eu só acho estranho as pessoas ficarem tão boazinhas no natal (nele e somente nele) e passar o resto do ano ignorando a paz, o respeito e o amor ao próximo. Enfim, eu acho que as crianças devem aprender um pouquinho do natal sim, mas não como diz na bíblia. Devem aprender que pelo menos um dia no ano as pessoas são mais humanas. :)

  3. Toluca Disse:
    23 de dezembro de 2011 às 21:09

    Ah! Eu sempre repito esse discurso, mas acho que é um ponto a ser considerado :)
    Eu nasci numa casa de ateus, que nunca me disseram que Papai Noel existe e mesmo assim a gente sempre foi pra casa dos avós, felizes de estar com a família toda reunida. Não achei traumático nunca ter acreditado em Papai Noel, mas talvez porque também isso era fichinha perto de não acreditar em Papai do Céu.
    Beijo e Feliz Natal !

  4. Inez Disse:
    24 de dezembro de 2011 às 02:39

    Sempre me perguntei sobre isso. E agora, já me derreti toda com meu filho encantado, enternecido e eufórico diante da árvore enfeitada e iluminada. Resultado: vou contar que tem gente que acredita em papai noel, que tem gente que acredita que existiu um homem que pregou a paz, que existiam as festas pagãs. Ele vai decidir em que vai acreditar, quando crescer. Mas…enquanto isso, a partir do ao que vem tem árvore de natal enfeitada, iluminada e papagaiada lá em casa. É que a alegria de natal tomou outro sentido pra mim. Adorei o texto.

  5. nadja Disse:
    24 de dezembro de 2011 às 02:51

    a infância é a “única” fase da vida em que acreditamos em coisas fantásticas..e que a gente deixa a fantasia nos levar a terras tao especiais…eu me lembro da felicidade que tinha em escrever cartas pro papai-noel dizendo o q eu gostaria de ganhar, me recordo tb de nao querer dormir pra ver ele chegar, e depois acordar a minha mae bem cedinho, maravilhada, por ele ter deixado o presente que eu quis( claro que minha mae exausta pois tinha ficado ate quase 4 horas da manha acordada, me esperando dormir pra colocar o presente nos pes da cama)…é uma fase tao curta e preciosa em que a imaginação cria asas gigantescas…depois vc acredita em poucas coisas mesmo……aos 7 anos ja sabia de toda verdade, mas esta revelação, por minhas amigas maiores nao irou por nada o brilho de minha felicidade naqueles anos…e sempre lembro de tudo com muito encanto e carinho..

  6. natalie Disse:
    3 de janeiro de 2012 às 13:12

    estou rascunhando um post sobre isso faz teeeempo! mesma dúvida. mesmo alívio por Enzo ter apenas seis meses e eu não ter de tomar uma decisão este ano.

    meus pais sempre me fizeram crer em papai noel, e eu curti muito a fantasia enquanto era pequena. acho bacana estimular a imaginação das crianças, como meus pais fizeram com a minha.

    mas não sei se usando justamente o papai noel, tendo como objetivo o consumo etc etc… sem respostas ainda…

  7. Aline Disse:
    4 de janeiro de 2012 às 05:33

    Vc vai mesmo gostar dela encantada com a magia do natal (pisca-pisca na janela, pisca-pisca na árvore, estrela pisca-pisca no prédio, blablabla. rsss

  8. Pare de tomar a pílula » Blog Archive » O que sinto nesse dia da mulher Disse:
    8 de março de 2012 às 10:53

    […] muito boa com datas comemorativas em geral. Não costumo fazer festa no meu aniversário, tenho uma revoltinha adolescente com o Natal e agora, aparentemente, nem do dia do meu casamento eu lembro mais. E aí tem o Dia Internacional […]

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